terça-feira, 7 de setembro de 2010
A chuva derrete-se em minha vidraça
Aqui dentro um vazio estranho
Uma sede de alguém, que não vem.
Lá fora, as línguas tramam
Cabulosas imagens de mim
Distorcidas pela distância
Cá de dentro eu me vejo
Pobre mulher assustada
De coração retalhado
Beirando abismos
Sondando dias mais coloridos
No que transformei o meu jardim?
Florzinhas mortas me acusam de esmagar sua beleza
Os passarinhos não querem vir cantar
O vento não me beija
O perfume não exala
Cá de dentro vejo a confusão
Que bagunça a alma agora
Hoje ele passou aqui com sua namorada loura
Hoje eu traguei goles de desilusão
E sobra pra minha cabeça
Transtorno, solidão
Oh não! Veja, eu não sou assim
É só um momento ruim
Em que estico o braço e não consigo tocar
Aquela paz que poderia me ajudar
Porque é um caminho da mente
E hoje ela cansou, traiu-me
Bem que percebi sua intenção
Mas deixei a mente me mentir
E agora amargo esse pedaço de desgosto
Essa insatisfação
Como fugir de mim mesma
Sem fazer tanto estrago?
"Asa partida e dor"
Ah, só o sossego
Meus pés sobre suas pernas
Sentados à mesa de um bar
Conversando com os olhos
A intimidade é tamanha
Que a palavra é inútil
E o único abismo é a gente se jogando
Um no outro, sem medo
Caindo, caindo
Nos alheios segredos
E com seu cheiro me invadindo
Amoleço lânguida em seus braços
abraços infinitos
os melhores do mundo inteiro
E nem parece que somos sós.
Ah, nem existem os buracos negros
nem a bagunça da alma.
Só nós.
Numa hora destas
Em que a chuva respinga o vazio aqui dentro.
Lá fora, onde se abrigam seus olhos?
Esse estômago revirado
A angústia a que dei lugar
Passa, logo passa
Que tenho pressa
E então, só me interessa
Achar o caminho
Por onde o meu moço vai passar.
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