sábado, 28 de agosto de 2010

Silêncio
A vida vai entrando devagar
Abrindo a porta do mundo
Espreitando as nuances, os sabores,
o cheiro torpe, a imensidão.

Passo a passo ela pisa
No mundo, na corda bamba,
na gangorra
E vai conhecendo o balanço.

Tantos ritmos a vida dança
Que as vezes sofre desritmia

A vida sai do limbo e respira
E vislumbra os caminhos.

A vida quer paz
Rodas gigantes e casais
Flores e crianças
Sussurros de amor
Cores se espalhando
Sons ungindo os momentos
Sagradas horas
Em que o amor acha espaço
E acaricia a vida.

A vida se espalha
Naquela saia esvoaçante
Da mulher que dança
Displiscente e bela
Ah, uma saia branca
Cobrindo a volúpia do seu corpo.

A vida quer ser livre
De rótulos
De restos
E das armadilhas que ela mesma cria
Ela quer a valsa do sim
Do amor e da paciência
As rimas mais ricas
Que for capaz de escrever
A vida quer viver.

Intensa e sábia
Como quem um dia vai partir
E fechar a porta do mundo
E enquanto o mundo está aí, todo pra vida
Ela só quer pisar nele
Com respeito e verdade.

A vida aqui
Sempre busca a felicidade
Seja em que formato for.

A felicidade se transforma em tantas coisas
Cada vida no seu processo...

O caminho se faz passo a passo
Pra não atropelar a vida
Que só quer pulsar
Aprender a amar
Se libertar
Cantar
Dentro dos silêncios
Dentro dos mistérios
Sem medo
Apenas dançar a valsa
Sem cair nos abismos
Respiro
Silêncio
A vida acontece em mim.

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