Ah, noite
Vivo a prolongar-te
Como se prolongasse o prazer
Até o gozo da madrugada
Que é tão mais calada
E mais minha.
Antes de partir, noite
Deixe-me agradecer
Teu silêncio acolhedor
Que me faz tranquila
Tendo apenas minha própria companhia.
Me espera o travesseiro
E o relógio trapaceiro
Avança sem se importar
O quanto quero apreciar
Esta noite dançando pra mim
Sua valsa quieta, imponente
Me espera o dia
E toda uma agenda que hei de dar conta
Atenta, pronta
Amanhã já não saberei
Desta que sou agora
Que vai enfeitar-se num sonho
E acordar melhor para o mundo.
Vai, noite querida
E antes de você partir
Hei de estar adormecida.
freuda
poema avulso e prosa avessa
terça-feira, 7 de setembro de 2010
A chuva derrete-se em minha vidraça
Aqui dentro um vazio estranho
Uma sede de alguém, que não vem.
Lá fora, as línguas tramam
Cabulosas imagens de mim
Distorcidas pela distância
Cá de dentro eu me vejo
Pobre mulher assustada
De coração retalhado
Beirando abismos
Sondando dias mais coloridos
No que transformei o meu jardim?
Florzinhas mortas me acusam de esmagar sua beleza
Os passarinhos não querem vir cantar
O vento não me beija
O perfume não exala
Cá de dentro vejo a confusão
Que bagunça a alma agora
Hoje ele passou aqui com sua namorada loura
Hoje eu traguei goles de desilusão
E sobra pra minha cabeça
Transtorno, solidão
Oh não! Veja, eu não sou assim
É só um momento ruim
Em que estico o braço e não consigo tocar
Aquela paz que poderia me ajudar
Porque é um caminho da mente
E hoje ela cansou, traiu-me
Bem que percebi sua intenção
Mas deixei a mente me mentir
E agora amargo esse pedaço de desgosto
Essa insatisfação
Como fugir de mim mesma
Sem fazer tanto estrago?
"Asa partida e dor"
Ah, só o sossego
Meus pés sobre suas pernas
Sentados à mesa de um bar
Conversando com os olhos
A intimidade é tamanha
Que a palavra é inútil
E o único abismo é a gente se jogando
Um no outro, sem medo
Caindo, caindo
Nos alheios segredos
E com seu cheiro me invadindo
Amoleço lânguida em seus braços
abraços infinitos
os melhores do mundo inteiro
E nem parece que somos sós.
Ah, nem existem os buracos negros
nem a bagunça da alma.
Só nós.
Numa hora destas
Em que a chuva respinga o vazio aqui dentro.
Lá fora, onde se abrigam seus olhos?
Esse estômago revirado
A angústia a que dei lugar
Passa, logo passa
Que tenho pressa
E então, só me interessa
Achar o caminho
Por onde o meu moço vai passar.
sábado, 28 de agosto de 2010
Silêncio
A vida vai entrando devagar
Abrindo a porta do mundo
Espreitando as nuances, os sabores,
o cheiro torpe, a imensidão.
Passo a passo ela pisa
No mundo, na corda bamba,
na gangorra
E vai conhecendo o balanço.
Tantos ritmos a vida dança
Que as vezes sofre desritmia
A vida sai do limbo e respira
E vislumbra os caminhos.
A vida quer paz
Rodas gigantes e casais
Flores e crianças
Sussurros de amor
Cores se espalhando
Sons ungindo os momentos
Sagradas horas
Em que o amor acha espaço
E acaricia a vida.
A vida se espalha
Naquela saia esvoaçante
Da mulher que dança
Displiscente e bela
Ah, uma saia branca
Cobrindo a volúpia do seu corpo.
A vida quer ser livre
De rótulos
De restos
E das armadilhas que ela mesma cria
Ela quer a valsa do sim
Do amor e da paciência
As rimas mais ricas
Que for capaz de escrever
A vida quer viver.
Intensa e sábia
Como quem um dia vai partir
E fechar a porta do mundo
E enquanto o mundo está aí, todo pra vida
Ela só quer pisar nele
Com respeito e verdade.
A vida aqui
Sempre busca a felicidade
Seja em que formato for.
A felicidade se transforma em tantas coisas
Cada vida no seu processo...
O caminho se faz passo a passo
Pra não atropelar a vida
Que só quer pulsar
Aprender a amar
Se libertar
Cantar
Dentro dos silêncios
Dentro dos mistérios
Sem medo
Apenas dançar a valsa
Sem cair nos abismos
Respiro
Silêncio
A vida acontece em mim.
A vida vai entrando devagar
Abrindo a porta do mundo
Espreitando as nuances, os sabores,
o cheiro torpe, a imensidão.
Passo a passo ela pisa
No mundo, na corda bamba,
na gangorra
E vai conhecendo o balanço.
Tantos ritmos a vida dança
Que as vezes sofre desritmia
A vida sai do limbo e respira
E vislumbra os caminhos.
A vida quer paz
Rodas gigantes e casais
Flores e crianças
Sussurros de amor
Cores se espalhando
Sons ungindo os momentos
Sagradas horas
Em que o amor acha espaço
E acaricia a vida.
A vida se espalha
Naquela saia esvoaçante
Da mulher que dança
Displiscente e bela
Ah, uma saia branca
Cobrindo a volúpia do seu corpo.
A vida quer ser livre
De rótulos
De restos
E das armadilhas que ela mesma cria
Ela quer a valsa do sim
Do amor e da paciência
As rimas mais ricas
Que for capaz de escrever
A vida quer viver.
Intensa e sábia
Como quem um dia vai partir
E fechar a porta do mundo
E enquanto o mundo está aí, todo pra vida
Ela só quer pisar nele
Com respeito e verdade.
A vida aqui
Sempre busca a felicidade
Seja em que formato for.
A felicidade se transforma em tantas coisas
Cada vida no seu processo...
O caminho se faz passo a passo
Pra não atropelar a vida
Que só quer pulsar
Aprender a amar
Se libertar
Cantar
Dentro dos silêncios
Dentro dos mistérios
Sem medo
Apenas dançar a valsa
Sem cair nos abismos
Respiro
Silêncio
A vida acontece em mim.
Eu sou só um filme esquecido
No canto do teu desprezo
De canto de olho me nega
E me percorre sem que eu veja
No canto da tua vergonha.
A minha paixão ameaça
Bagunçar teu coração enregelado
Perdido, deitando em tantos braços
Ninhos diferentes, pouso raso
Sem jamais neles se derreter
A cara do meu desejo
É a tua piada
Talvez, pra que não sucumba
Ah, você sabe como é bom...
Aperta minha cabeça
Tua presença tão perto
Te quero com ódio
E não entendo
Consegue ser doce, mas é vadio
Ah, meus hormônios em fúria
Nós dentro da cabeça
Confusão, cio
Só ela, a mulher
Que não quer te entender, nem te aceitar
Só provar do teu corpo noite adentro
E depois...
Quem sabe de nós depois?
A mulher e o homem
Correndo soltos o mundo
Conhecendo outros pousos
E outras moradas
Fêmea que só quer ser saciada
Mais nada.
Ah, quanto desprezo nesse olhar
Mas me tome, pode entrar
Vou esquecer quem sou
Virar do avesso
E me dar só até onde você mercer
Tato. Também tenho minhas armas.
Não me importo, deixe-me gozar agora.
E depois
Quero muitos voos
Não vou deixar pesar
Passe, meu bem. Pode passar
Entre, saia e saiba teu lugar.
Estou aqui, toda da vida
Pra dança que ela quiser
Me leve, não pense
Só dance essa música comigo
E depois
Vou esmagar, enregelada
Qualquer lembrança vadia
Que me deixe morna e saudosa de ti.
No canto do teu desprezo
De canto de olho me nega
E me percorre sem que eu veja
No canto da tua vergonha.
A minha paixão ameaça
Bagunçar teu coração enregelado
Perdido, deitando em tantos braços
Ninhos diferentes, pouso raso
Sem jamais neles se derreter
A cara do meu desejo
É a tua piada
Talvez, pra que não sucumba
Ah, você sabe como é bom...
Aperta minha cabeça
Tua presença tão perto
Te quero com ódio
E não entendo
Consegue ser doce, mas é vadio
Ah, meus hormônios em fúria
Nós dentro da cabeça
Confusão, cio
Só ela, a mulher
Que não quer te entender, nem te aceitar
Só provar do teu corpo noite adentro
E depois...
Quem sabe de nós depois?
A mulher e o homem
Correndo soltos o mundo
Conhecendo outros pousos
E outras moradas
Fêmea que só quer ser saciada
Mais nada.
Ah, quanto desprezo nesse olhar
Mas me tome, pode entrar
Vou esquecer quem sou
Virar do avesso
E me dar só até onde você mercer
Tato. Também tenho minhas armas.
Não me importo, deixe-me gozar agora.
E depois
Quero muitos voos
Não vou deixar pesar
Passe, meu bem. Pode passar
Entre, saia e saiba teu lugar.
Estou aqui, toda da vida
Pra dança que ela quiser
Me leve, não pense
Só dance essa música comigo
E depois
Vou esmagar, enregelada
Qualquer lembrança vadia
Que me deixe morna e saudosa de ti.
Respeitável público,
Heis aqui uma mulher.
As vezes de graça,
As vezes a muito custo.
Porque ser mulher é lindo
E dói.
Querendo ser honesta consigo mesma,
O tempo todo
E se perguntando se o mundo permite.
Algumas respostas demoram de vir.
E haja paciência!
Mas os sonhos
Por enquanto são sempre maiores.
Um hálito de primavera começa a encher a casa
Deixando tudo romântico
Com ares de criança
É setembro chegando
Anunciando as ondas quentes
A renovação do mar
A paixão púrpura a desfilar nas ruas.
Setembro, que bom presságio.
Agosto já desgostou-me.
E eu tenho esse trunfo,
de esperar setembro.
E o que foi ruim, já nem lembro.
Sabe, a rima não é o mais importante
A gente tem que seguir na desritmia
Procurando a melodia de cada momento.
Sigo porque espero ver, antes de partir
Um mundo mais manso, mais conectado
Não por fibras ópticas ou ships
Antes por sentimentos.
Nos conhecemos melhor
Quando nos relacionamos com os outros
De alguma forma eles nos dizem quem somos
Não há o que temer
Se esconder da vida é inútil
E o ser humano só precisa
Descobrir seu lado divino.
Heis aqui uma mulher.
As vezes de graça,
As vezes a muito custo.
Porque ser mulher é lindo
E dói.
Querendo ser honesta consigo mesma,
O tempo todo
E se perguntando se o mundo permite.
Algumas respostas demoram de vir.
E haja paciência!
Mas os sonhos
Por enquanto são sempre maiores.
Um hálito de primavera começa a encher a casa
Deixando tudo romântico
Com ares de criança
É setembro chegando
Anunciando as ondas quentes
A renovação do mar
A paixão púrpura a desfilar nas ruas.
Setembro, que bom presságio.
Agosto já desgostou-me.
E eu tenho esse trunfo,
de esperar setembro.
E o que foi ruim, já nem lembro.
Sabe, a rima não é o mais importante
A gente tem que seguir na desritmia
Procurando a melodia de cada momento.
Sigo porque espero ver, antes de partir
Um mundo mais manso, mais conectado
Não por fibras ópticas ou ships
Antes por sentimentos.
Nos conhecemos melhor
Quando nos relacionamos com os outros
De alguma forma eles nos dizem quem somos
Não há o que temer
Se esconder da vida é inútil
E o ser humano só precisa
Descobrir seu lado divino.
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